Janeiro 18, 2018

Brasília

ImpeachmentMesmo antes da decisão sobre a continuidade do processo do impeachment no Senado Federal, a instalação do muro na Esplanada dos Ministérios e o esquema de segurança das forças policiais estavam mantidos. O alambrado começou a ser reerguido no domingo e deve ficar pronto até hoje. A expectativa é retirar a estrutura somente um dia depois do resultado — o que deve ocorrer na quinta-feira. Com 80m de largura e 1km de comprimento, a volta da cerca coloca mais uma vez manifestantes da esquerda e da direita em lados opostos. Assim como ocorreu nos dias de votação do processo na Câmara dos Deputados, o grupo pró-impeachment ficará na via S1 no Eixo Monumental, entre a Rodoviária do Plano Piloto e o Congresso Nacional; o lado contrário à saída da presidente estará distribuído ao longo da via N1. A Subsecretaria de Integração e Operações de Segurança Pública (Sosp) prevê a chegada de ônibus e caravanas sindicais dos dois grupos a partir de hoje.

Na manhã de ontem, forças de segurança e órgãos do governo se reuniram na Sosp, com servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e da Subsecretaria de Inteligência da pasta. A expectativa é de um número menor de manifestantes. “A previsão é de menos de 40 mil pessoas. A redução pode ser atrelada ao dia da semana e a um resultado mais ou menos previsto. Também tivemos uma reunião com os grupos pró e contra impeachment, que confirmaram a intenção de caravanas”, explicou o subsecretário da Sosp, coronel Márcio Pereira da Silva.

Como da outra vez, os manifestantes pró-impeachment ficarão no Parque da Cidade e os contra a saída da presidente, no estacionamento do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha. Segundo Márcio, a previsão é de que ônibus comecem a chegar a partir da noite de hoje. “O efetivo não será maciço como da outra vez. O escalonamento dos policiais ocorrerá no decorrer do dia”, esclareceu.

Críticas e elogios
A previsão é que a votação comece às 10h de amanhã e dure entre 20h e 24h. Considerando o tempo, a expectativa é de que termine no decorrer da madrugada de quinta-feira. Na tarde de ontem, presidiários do sistema semiaberto auxiliaram na montagem do alambrado, acompanhados de policiais militares. Semelhante ao que ocorreu entre 15 e 17 de abril, o muro vai da Catedral Metropolitana de Brasília até a Alameda dos Estados. O espaço entre Palácio do Itamaraty, Palácio do Planalto, Ministério da Justiça, Supremo Tribunal Federal, Congresso Nacional e Praça dos Três Poderes será reservado às forças de segurança.

O governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), atribuiu o sucesso da operação anterior à decisão de separar os grupos. Em razão do resultado positivo, o plano operacional voltará. As vias N1 e S1 da Esplanada serão interditadas a partir de meia-noite do dia da votação. Os servidores que trabalham no setor e os manifestantes só conseguirão chegar ao local pelas vias N2 e S2.

Críticas e elogios
Ontem, quem passou pelo cartão-postal da cidade acompanhou a montagem das cercas. O servidor público Júlio César da Conceição, 56 anos, trabalha no Ministério da Fazenda e assistiu às duas preparações. Apesar do resultado da manifestação de abril, ele considera que o espaço tinha de ser livre. “O protesto tinha que acontecer em clima de paz, sem violência. O muro provoca ainda mais os dois lados. Na minha visão, não tinha que ter a grade. Apesar de a outra ter sido tranquila, esses alambrados são barras de ferro, que podem se tornar armas”, avaliou.

Leone dos Santos, 54, tem posição contrária. Para o pedreiro, o alambrado é importante porque evita, pelo menos, a incitação ao ataque entre os dois grupos. “Com o muro, a confusão é menor. Os dois lados separados acaba sendo melhor, porque sempre tem algumas pessoas infiltradas que acabam partindo para a violência e acirrando os ânimos. Como da outra vez, o esquema deu certo e ninguém se enfrentou”, observou.

Entenda o caso
A polêmica divisão
Para a votação do processo de impeachment na Câmara dos Deputados, o muro começou a ser erguido em 10 de abril. Idealizado pelo governador Rodrigo Rollemberg para impedir confronto entre os dois grupos, a execução foi colocada em prática pelas forças de segurança. Pela primeira vez na história, lados opostos ficaram separados pelo alambrado, que virou alvo de polêmica e intervenções artísticas e culturais. Brasilienses aproveitaram o momento para pedir paz entre os manifestantes, com a colocação de flores e cartazes. A expectativa do governo era de 300 mil manifestantes, mas o ato terminou com cerca de 80 mil pessoas. Participaram da operação 11,5 mil PMs, 1,5 mil bombeiros e 330 agentes do Detran. Trezentos policiais civis reforçaram a segurança.

No Parque da Cidade, resistência permanece
Desde a manifestação de abril, manifestantes pró-impeachment permanecem acampados no Parque da Cidade. Aproximadamente 10 pessoas resistem no espaço, com barracas e fogão industrial de duas bocas. Eles revezam-se entre a preparação do alimento e a limpeza do gramado com vassouras. No acampamento — batizado de Resistência Popular —, existem pessoas de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, Pará, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Paraíba. A expectativa é de que o número de manifestantes aumente para acompanhar a votação do processo de admissibilidade do impeachment no Senado Federal.

CorreioWeb

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